Temporada 2017
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PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
30
abr 2017
domingo 11h00 Concertos Matinais
Matinais: Osesp e Diakun


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marzena Diakun regente


Programação
Sujeita a
Alterações
Karol SZYMANOWSKI
Abertura de Concerto, Op.12
Pyotr I. TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 1
Heitor VILLA-LOBOS
Alvorada na Floresta Tropical
Pyotr I. TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 2
INGRESSOS
  Gratuito
  DOMINGO 30/ABR/2017 11h00
 

Ingressos disponíveis na bilheteria do 1º subsolo da Sala São Paulo a partir da segunda-feira anterior ao concerto, limitados a quatro por pessoa. A partir de cinco ingressos, será cobrado o valor de R$ 2,00 por ingresso, também limitados a quatro por pessoa.

No dia do concerto, havendo disponibilidade, a distribuição de ingressos será a partir das 10 horas, limitado a um ingresso por pessoa.
Informações: T 55 11 3223 3966.
Devido à grande procura, recomendamos que verifique se há disponibilidade de ingressos.

Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil

Notas de Programa

SZYMANOWSKI
Abertura de Concerto, Op.12

 

De 14 a 16 de setembro a Osesp receberá um dos principais compositores vivos, o polonês Krzysztof Penderecki, que regerá, além de peças de sua autoria, o Concerto nº 1 para Violino (1) (1933) de seu compatriota Karol Szymanowski. O concerto de hoje — que terá a regência da também polonesa Marzena Diakun — inicia-se com a Abertura de Concerto, Op.12, de Szymanowski. Composta ainda na primeira década do século XX, a Abertura se organiza a partir de referências estilísticas do final do século XIX, especialmente Wagner e Strauss. Destaca-se aqui o domínio técnico da escrita e a engenhosidade e clareza com que Szymanowski sobrepõe acontecimentos sonoros, mesmo em meio a uma densa massa orquestral.

 

 

TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 1 e 2 /TCHAIKOVSKY EM FOCO
VILLA-LOBOS
Alvorada na Floresta Tropical

 

Em seu ensaio “Tchaikovsky, Sinfonista Patético”, na Revista Osesp 2017, Richard Taruskin comenta a desaprovação que gradualmente ocorreu, durante o século XX, no status da obra do compositor. Taruskin explica que tal declínio jamais se deu com o público, e que “deve ser interpretado em parte no contexto da mudança do ‘poético’ para o ‘estrutural’ [...] como o critério mais importante para a avaliação artística [...]”. (2) Com a apresentação de seis importantes peças do compositor russo ao longo da Temporada 2017 da Osesp, teremos oportunidade de experimentar o que poderia ser uma escrita (ou uma escuta) mais “poética” ou mais “estrutural”.

 

À época da estreia do balé A Bela Adormecida, em 1890, Tchaikovsky era um dos compositores mais prestigiados (pela crítica e pelo público), dentro e fora da Rússia czarista. Baseado no conto de Charles Perrault, o balé de quase três horas de duração (em sua versão original) é contextualizado no século XVII, e conta a história da princesa Aurora, filha do rei Florestan XIV, que por obra de Carabosse, a fada má, adormece aos 16 anos de idade após ferir-se no dedo. Durante os cem anos em que, junto da princesa, toda a corte enfeitiçada cai em sono profundo, uma floresta envolve o castelo. E é nesse momento, em meio a esse mundo de feitiços e encantos que, como num passe de mágica — só no concerto de hoje —, a princesa Aurora em sonho transporta-se para o Brasil de Villa-Lobos, e sua Alvorada na Floresta Tropical.

 

“A alvorada, em qualquer floresta do Brasil, é para mim uma ouverture de cores acompanhadas pelo canto mágico e pelo chilrear dos pássaros tropicais, mas também pelos uivos, gritos, evocações e pelas exóticas e bárbaras danças dos índios nativos”, escreveu Villa-Lobos em uma carta de 17/01/1954 à época em que a peça foi encomendada, pela quantia de mil dólares, pela orquestra de Louisville (EUA). Nesse Villa da última fase é possível ouvir algo dos poemas sinfônicos dos primeiros anos, de sua verve pré-Choros e Bachianas.

 

Despertando subitamente desse desvio poético, depois da interpolação de Villa-Lobos, retornamos a Tchaikovsky e à segunda parte dos excertos selecionados de seu balé, rumo a um final feliz. Ouvir A Bela Adormecida em 2017, à luz dos diálogos com Szymanowski, Mozart e Villa-Lobos, nos permite possivelmente uma outra leitura, distanciada não apenas desta peça, mas também de boa parte da obra do compositor russo. Uma leitura que não tenha mais que optar necessariamente entre o poético (do século XIX) e o estrutural (do século XX), mas que possa talvez encontrar, neste século XXI, estruturas sob os devaneios, ou poesia na arquitetura.

 

SERGIO MOLINA é compositor, Doutor em Música pela USP, coordenador da Pós-Graduação em Canção Popular na FASM (SP) e professor de Composição no ICG/UEPA de Belém.

 

1. Ao violino teremos a Artista em Residência da Osesp em 2017, a alemã Isabelle Faust.
2. Revista Osesp, 2017, p.51.
3. VILLA-LOBOS, Heitor. The Villa-Lobos Letters (Musician in Letters). Tradução e edição de Lisa M. Pepercorn. Londres: Tocata Press, 1994.


Leia sobre Pyotr I. Tchaikovsky no ensaio "Tchaikovsky, Sinfonista Patético", de Richard Taruskin, aqui.