PRÓXIMOS CONCERTOS
Gustav MAHLER
Sinfonia nº 9 em Ré Maior
Richard STRAUSS
Concerto nº 2 em Mi Bemol Maior Para Trompa e Orquestra
Niccolò PAGANINI
I Palpiti Para Violino e Orquestra [Variação Sobre Um Tema de Rossini]
Henri DUTILLEUX
Sonatina Para Flauta e Piano
Sergei KOUSSEVITZKY
Concerto Para Contrabaixo e Piano, Op.3
Antonio PASCULLI
Concerto Para Oboé Sobre Tema da Ópera “La Favorita” de Donizetti
Astrid SPITZNAGEL
Quarteto "Auf allen Vieren" para Contrabaixo Solo, Violino, Viola e Violoncelo
Victor EWALD
Quinteto nº 1 em Si Bemol Menor, Op.5
Henri TOMASI
Concerto Para Trombone e Orquestra
Johann STRAUSS
Concerto Para Oboé e Orquestra
Joseph HAYDN
Concerto Para Violoncelo e Orquestra nº 2 em Ré Maior, Op. 101
Ludwig van BEETHOVEN
Sonata nº 5 para Violino e Piano, Op. 24 - Primavera
Camille SAINT-SAËNS
Sonata para Fagote e Piano em Sol Maior, Op.168
Johannes BRAHMS
Trio Para Piano, Violino e Trompa, Op. 40
PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
27
abr 2017
quinta-feira 10h00 Ensaio Aberto
Ensaio Aberto: Diakun e Staier


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marzena Diakun regente
Andreas Staier piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Karol SZYMANOWSKI
Abertura de Concerto, Op.12
Wolfgang A. MOZART
Concerto nº 17 Para Piano em Sol Maior, KV 453
Pyotr I. TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 1
Heitor VILLA-LOBOS
Alvorada na Floresta Tropical
Pyotr I. TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 2

 

Durante o Ensaio podem acontecer pausas, repetições de trechos

e alterações na ordem das obras de acordo com a orientação do regente. 

INGRESSOS
  R$ 10,00
  QUINTA-FEIRA 27/ABR/2017 10h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

SZYMANOWSKI
Abertura de Concerto, Op.12

 

De 14 a 16 de setembro a Osesp receberá um dos principais compositores vivos, o polonês Krzysztof Penderecki, que regerá, além de peças de sua autoria, o Concerto nº 1 para Violino (1) (1933) de seu compatriota Karol Szymanowski. O concerto de hoje — que terá a regência da também polonesa Marzena Diakun — inicia-se com a Abertura de Concerto, Op.12, de Szymanowski. Composta ainda na primeira década do século XX, a Abertura se organiza a partir de referências estilísticas do final do século XIX, especialmente Wagner e Strauss. Destaca-se aqui o domínio técnico da escrita e a engenhosidade e clareza com que Szymanowski sobrepõe acontecimentos sonoros, mesmo em meio a uma densa massa orquestral.

 

 

MOZART
Concerto nº 17 Para Piano em Sol Maior, KV 453

 

O Concerto nº 17 de Mozart, de 1784, começa com uma exposição da orquestra, com seu colorido de cordas em primeiro plano, deixando frestas para comentários precisos da flauta e dos oboés, sempre sustentados pelo par de fagotes. Ao fundo ouvem-se as trompas com suas longas notas sustentadas. A trama musical é ampliada com a entrada do piano solista, dois minutos depois, repetindo inicialmente o primeiro material temático exposto pela orquestra, mas, como é comum em Mozart, sugerindo suas próprias melodias na sequência.

 

Para uma escuta mais acurada dos concertos de Mozart, em vez de pensarmos em pares de opostos como primeiro e segundo temas, orquestra e solista etc., talvez seja mais apropriado procurarmos outros tipos de interação musical: triangulações, jogos, variações e surpresas. O movimento intermediário tem um tratamento que o aproxima da música vocal de Mozart; aqui, tanto o artesanato da trama polifônica das madeiras quanto alguns fragmentos da própria melodia principal ecoam o “Et Incarnatus Est” da Grande Missa em Dó Menor, composta pouco antes do Concerto nº 17. O último movimento é organizado a partir de variações de um tema principal, em dois andamentos contrastantes, um “Allegretto” seguido de um acelerado “Presto” em forma de “Finale”.

 

 

TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 1 e 2 /TCHAIKOVSKY EM FOCO
VILLA-LOBOS
Alvorada na Floresta Tropical

 

Em seu ensaio “Tchaikovsky, Sinfonista Patético”, na Revista Osesp 2017, Richard Taruskin comenta a desaprovação que gradualmente ocorreu, durante o século XX, no status da obra do compositor. Taruskin explica que tal declínio jamais se deu com o público, e que “deve ser interpretado em parte no contexto da mudança do ‘poético’ para o ‘estrutural’ [...] como o critério mais importante para a avaliação artística [...]”. (2) Com a apresentação de seis importantes peças do compositor russo ao longo da Temporada 2017 da Osesp, teremos oportunidade de experimentar o que poderia ser uma escrita (ou uma escuta) mais “poética” ou mais “estrutural”.

 

À época da estreia do balé A Bela Adormecida, em 1890, Tchaikovsky era um dos compositores mais prestigiados (pela crítica e pelo público), dentro e fora da Rússia czarista. Baseado no conto de Charles Perrault, o balé de quase três horas de duração (em sua versão original) é contextualizado no século XVII, e conta a história da princesa Aurora, filha do rei Florestan XIV, que por obra de Carabosse, a fada má, adormece aos 16 anos de idade após ferir-se no dedo. Durante os cem anos em que, junto da princesa, toda a corte enfeitiçada cai em sono profundo, uma floresta envolve o castelo. E é nesse momento, em meio a esse mundo de feitiços e encantos que, como num passe de mágica — só no concerto de hoje —, a princesa Aurora em sonho transporta-se para o Brasil de Villa-Lobos, e sua Alvorada na Floresta Tropical.

 

“A alvorada, em qualquer floresta do Brasil, é para mim uma ouverture de cores acompanhadas pelo canto mágico e pelo chilrear dos pássaros tropicais, mas também pelos uivos, gritos, evocações e pelas exóticas e bárbaras danças dos índios nativos”, escreveu Villa-Lobos em uma carta de 17/01/1954 à época em que a peça foi encomendada, pela quantia de mil dólares, pela orquestra de Louisville (EUA). Nesse Villa da última fase é possível ouvir algo dos poemas sinfônicos dos primeiros anos, de sua verve pré-Choros e Bachianas.

 

Despertando subitamente desse desvio poético, depois da interpolação de Villa-Lobos, retornamos a Tchaikovsky e à segunda parte dos excertos selecionados de seu balé, rumo a um final feliz. Ouvir A Bela Adormecida em 2017, à luz dos diálogos com Szymanowski, Mozart e Villa-Lobos, nos permite possivelmente uma outra leitura, distanciada não apenas desta peça, mas também de boa parte da obra do compositor russo. Uma leitura que não tenha mais que optar necessariamente entre o poético (do século XIX) e o estrutural (do século XX), mas que possa talvez encontrar, neste século XXI, estruturas sob os devaneios, ou poesia na arquitetura.

 

SERGIO MOLINA é compositor, Doutor em Música pela USP, coordenador da Pós-Graduação em Canção Popular na FASM (SP) e professor de Composição no ICG/UEPA de Belém.

 

1. Ao violino teremos a Artista em Residência da Osesp em 2017, a alemã Isabelle Faust.
2. Revista Osesp, 2017, p.51.
3. VILLA-LOBOS, Heitor. The Villa-Lobos Letters (Musician in Letters). Tradução e edição de Lisa M. Pepercorn. Londres: Tocata Press, 1994.


Leia sobre Pyotr I. Tchaikovsky no ensaio "Tchaikovsky, Sinfonista Patético", de Richard Taruskin, aqui.