Temporada 2018
junho
s t q q s s d
<junho>
segterquaquisexsábdom
2829303112 3
45 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
181920 21 22 23 24
25 26 27 28 29301
2345678
jan fev mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez
PRÓXIMOS CONCERTOS
Hector BERLIOZ
Romeu e Julieta, Op.17: Romeu só - Grande Festa na Casa dos Capuletos
Carl Maria von WEBER
Peça de Concerto para Piano em fá menor, Op.79
Francisco MIGNONE
Fantasia Brasileira nº 4
Pyotr Il'yich TCHAIKOVSKY
Romeu e Julieta - Abertura-fantasia
George BENJAMIN
Octeto
Franco DONATONI
Arpège – Para Seis Instrumentos
Felipe LARA
Tutti – Para Ensemble
Igor STRAVINSKY
Dumbarton Oaks - Concerto em Mi Bemol Maior Para Orquestra de Câmara
Aleksandar RAICHEV
O Bosque do Inverno
Hristo NEDYALKOV
Canção da Amizade
Parashkev HADJIEV
Boa Noite
Melodia BÚLGARA
Radi para Radka falava
Panayot PIPKOV
Tagarela Cotovia
Melodia AUSTRÍACA
Maria costurar
Melodia MEXICANA
Chapanecas
Antonín DVORÁK
Meu Doce Lar
Melodia FRANCESA
Ao findar de mais um dia
Cânone Inglês do Séc.XIII
Chegada do Verão
Melodia NAPOLITANA
Santa Lucia
Hino Acadêmico TRADICIONAL
Gaudeamus igitur
Orlando GIBBONS
Drop, drop, slow tears
Johann Sebastian BACH
A Paixão segundo São João, BWV 245: O grosse Liebe
Luca MARENZIO
Ad una Fresca Riva
Thomas MORLEY
April In My Mistress's Face
Josquin des PREZ
El Grillo
Wolfgang A. MOZART
Ave Verum Corpus, KV 618
Joseph HAYDN
Missa Breve a São João de Deus: Kyrie
Heitor VILLA-LOBOS
Rosa Amarela
O Canto do Pajé
SPIRITUALS
Go down Moses
Deep River
Down by the Riverside
Kenneth LEIGHTON
Crucifixus pro nobis, Op.38: Drop, drop, slow tears
Alfred SCHNITTKE
Concerto para Coro: Ó mestre de tudo o que vive
Gregorio ALLEGRI
Miserere Mei, Deus
Henryk GÓRECKI
Miserere, Op.44: Miserere nobis
Totus Tuus, Op.60
John TAVENER
Canção para Atena
PRAÇA JÚLIO PRESTES, Nº 16
01218 020 | SÃO PAULO - SP
+55 11 3367 9500
27
abr 2017
quinta-feira 10h00 Ensaio Aberto
Ensaio Aberto: Diakun e Staier


Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Marzena Diakun regente
Andreas Staier piano


Programação
Sujeita a
Alterações
Karol SZYMANOWSKI
Abertura de Concerto, Op.12
Wolfgang A. MOZART
Concerto nº 17 Para Piano em Sol Maior, KV 453
Pyotr I. TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 1
Heitor VILLA-LOBOS
Alvorada na Floresta Tropical
Pyotr I. TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 2

 

Durante o Ensaio podem acontecer pausas, repetições de trechos

e alterações na ordem das obras de acordo com a orientação do regente. 

INGRESSOS
  R$ 10,00
  QUINTA-FEIRA 27/ABR/2017 10h00
Sala São Paulo
São Paulo-SP - Brasil
Notas de Programa

SZYMANOWSKI
Abertura de Concerto, Op.12

 

De 14 a 16 de setembro a Osesp receberá um dos principais compositores vivos, o polonês Krzysztof Penderecki, que regerá, além de peças de sua autoria, o Concerto nº 1 para Violino (1) (1933) de seu compatriota Karol Szymanowski. O concerto de hoje — que terá a regência da também polonesa Marzena Diakun — inicia-se com a Abertura de Concerto, Op.12, de Szymanowski. Composta ainda na primeira década do século XX, a Abertura se organiza a partir de referências estilísticas do final do século XIX, especialmente Wagner e Strauss. Destaca-se aqui o domínio técnico da escrita e a engenhosidade e clareza com que Szymanowski sobrepõe acontecimentos sonoros, mesmo em meio a uma densa massa orquestral.

 

 

MOZART
Concerto nº 17 Para Piano em Sol Maior, KV 453

 

O Concerto nº 17 de Mozart, de 1784, começa com uma exposição da orquestra, com seu colorido de cordas em primeiro plano, deixando frestas para comentários precisos da flauta e dos oboés, sempre sustentados pelo par de fagotes. Ao fundo ouvem-se as trompas com suas longas notas sustentadas. A trama musical é ampliada com a entrada do piano solista, dois minutos depois, repetindo inicialmente o primeiro material temático exposto pela orquestra, mas, como é comum em Mozart, sugerindo suas próprias melodias na sequência.

 

Para uma escuta mais acurada dos concertos de Mozart, em vez de pensarmos em pares de opostos como primeiro e segundo temas, orquestra e solista etc., talvez seja mais apropriado procurarmos outros tipos de interação musical: triangulações, jogos, variações e surpresas. O movimento intermediário tem um tratamento que o aproxima da música vocal de Mozart; aqui, tanto o artesanato da trama polifônica das madeiras quanto alguns fragmentos da própria melodia principal ecoam o “Et Incarnatus Est” da Grande Missa em Dó Menor, composta pouco antes do Concerto nº 17. O último movimento é organizado a partir de variações de um tema principal, em dois andamentos contrastantes, um “Allegretto” seguido de um acelerado “Presto” em forma de “Finale”.

 

 

TCHAIKOVSKY
A Bela Adormecida, Op.66: Excertos 1 e 2 /TCHAIKOVSKY EM FOCO
VILLA-LOBOS
Alvorada na Floresta Tropical

 

Em seu ensaio “Tchaikovsky, Sinfonista Patético”, na Revista Osesp 2017, Richard Taruskin comenta a desaprovação que gradualmente ocorreu, durante o século XX, no status da obra do compositor. Taruskin explica que tal declínio jamais se deu com o público, e que “deve ser interpretado em parte no contexto da mudança do ‘poético’ para o ‘estrutural’ [...] como o critério mais importante para a avaliação artística [...]”. (2) Com a apresentação de seis importantes peças do compositor russo ao longo da Temporada 2017 da Osesp, teremos oportunidade de experimentar o que poderia ser uma escrita (ou uma escuta) mais “poética” ou mais “estrutural”.

 

À época da estreia do balé A Bela Adormecida, em 1890, Tchaikovsky era um dos compositores mais prestigiados (pela crítica e pelo público), dentro e fora da Rússia czarista. Baseado no conto de Charles Perrault, o balé de quase três horas de duração (em sua versão original) é contextualizado no século XVII, e conta a história da princesa Aurora, filha do rei Florestan XIV, que por obra de Carabosse, a fada má, adormece aos 16 anos de idade após ferir-se no dedo. Durante os cem anos em que, junto da princesa, toda a corte enfeitiçada cai em sono profundo, uma floresta envolve o castelo. E é nesse momento, em meio a esse mundo de feitiços e encantos que, como num passe de mágica — só no concerto de hoje —, a princesa Aurora em sonho transporta-se para o Brasil de Villa-Lobos, e sua Alvorada na Floresta Tropical.

 

“A alvorada, em qualquer floresta do Brasil, é para mim uma ouverture de cores acompanhadas pelo canto mágico e pelo chilrear dos pássaros tropicais, mas também pelos uivos, gritos, evocações e pelas exóticas e bárbaras danças dos índios nativos”, escreveu Villa-Lobos em uma carta de 17/01/1954 à época em que a peça foi encomendada, pela quantia de mil dólares, pela orquestra de Louisville (EUA). Nesse Villa da última fase é possível ouvir algo dos poemas sinfônicos dos primeiros anos, de sua verve pré-Choros e Bachianas.

 

Despertando subitamente desse desvio poético, depois da interpolação de Villa-Lobos, retornamos a Tchaikovsky e à segunda parte dos excertos selecionados de seu balé, rumo a um final feliz. Ouvir A Bela Adormecida em 2017, à luz dos diálogos com Szymanowski, Mozart e Villa-Lobos, nos permite possivelmente uma outra leitura, distanciada não apenas desta peça, mas também de boa parte da obra do compositor russo. Uma leitura que não tenha mais que optar necessariamente entre o poético (do século XIX) e o estrutural (do século XX), mas que possa talvez encontrar, neste século XXI, estruturas sob os devaneios, ou poesia na arquitetura.

 

SERGIO MOLINA é compositor, Doutor em Música pela USP, coordenador da Pós-Graduação em Canção Popular na FASM (SP) e professor de Composição no ICG/UEPA de Belém.

 

1. Ao violino teremos a Artista em Residência da Osesp em 2017, a alemã Isabelle Faust.
2. Revista Osesp, 2017, p.51.
3. VILLA-LOBOS, Heitor. The Villa-Lobos Letters (Musician in Letters). Tradução e edição de Lisa M. Pepercorn. Londres: Tocata Press, 1994.


Leia sobre Pyotr I. Tchaikovsky no ensaio "Tchaikovsky, Sinfonista Patético", de Richard Taruskin, aqui.